Lugar de Refúgio

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Um ano...

Olá amiguinhos(as),

Hoje escreve-se mais um post para publicar aqui neste nosso cantinho.
Depois destes 22 dias sem publicar aqui nada, muito há para falar.
Poderia falar para começar da efémera euforia que perpassou Portugal por causa da prestação da nossa selecção no Mundial, mas este já acabou, o povo já esqueceu, e enquanto isto algumas coisas deveras importantes passaram despercebidas (é caso para dizer, estratégia aprovada, missão cumprida!, pobre povo português...). Podia falar da aprovação, novamente, da Lei da Paridade na AR pela maioria PS; podia falar da massiva greve da função pública; podia falar de Ramos-Horta ter ocupado o lugar de Primeiro-Ministro em Timor Leste e do golpe mágico da Austrália sobre a mais jovem Nação Independente do Mundo; podia falar da saída bem encenada do Ministro mais à esquerda do governo de Sócrates, Freitas do Amaral; podia falar da entrada em vigor da Lei das Rendas; podia falar sobre a nova Lei das Autarquias; podia falar dos testes com mísseis efectuados pela Coreia do Norte e pela Índia, sem deixar de lembrar os testes feitos por Israel, os EUA, Japão, Coreia do Sul, por aí fora; podia falar da agressão que Israel, com a alçada suprema dos EUA, esta a fazer sobre a Palestina na Faixa de Gaza; podia falar dos exames nacionais. Podia falar do Festival Regional de bandas da JCP, que se realizou este fim de semana em Moura e foi um sucesso. Podia também falar do meu fim de semana em Ferreira do Alentejo, porque este deixou marca profunda que custa a sarar, deixo ficar para outra altura...
No entanto, não vou falar de nada disto! Vou deixar-vos aqui um texto que fiz (mais um!) sobre uma pessoa que conheci, fez dia 8 de Julho de 06, um ano. Estava eu então no acampamento regional da JCP em Milfontes. Uma pessoa que deixou uma marca assim especial, especial desde o dia em que a conheci. Cada pessoa é uma pessoa, e cada uma delas passa e deixa em nós algo de seu, a sua marca. Marca essa que permanece, outras vezes mantém-se a marca e a pessoa. Porém há algumas, que nem à distância conseguem passar despercebidas ou indiferentes...
Hoje escrevo mais este texto quando passa exactamente um ano, sobre o dia em que te vi pela primeira vez.
Lembras-te?
Era sexta-feira à noite. Foi em Vila Nova de Milfontes, junto à gelataria Mabi. No meio de muitas pessoas que ali passavam, nem tive oportunidade de me confundir, eras Tu, notava-se à distância sem se saber bem porquê... Nesse fim de semana (o inicio de um sonho!) passamos algum tempo juntos, sobretudo bons momentos! Tivemos tempo para tomar uns copos, para passear, ir à praia à noite, e falar, falar, falar...
Mas os fins de semana, são curtos e rápido chega o seu fim, domingo à tarde, antes de sair de Milfontes, já sentia saudades, sentia o quão especial te tornarias para mim...
Ciclo normal da vida, os dias sucedem-se, e falámos, conhecemo-nos melhor, novos, belos e únicos momentos (embora coisas banais, a teu lado são especiais!) passamos juntos e deixaram marca.
Vivemos então logo a seguir ao nosso primeiro encontro e até eu viajar para a Venezuela, um mês bastante agitado, de muita partilha, conhecimento, sentimentos, emoções!
Hoje tenho em ti, das pessoas mais especiais que já cruzaram o meu caminho! Das pessoas que mais me marcam e mexem comigo. És a pessoa com que mais me identifico!
Um dia escreves-te que fui importante para ti. Eu digo hoje que tu és e continuarás a ser importante para mim!
Porque contigo, tudo o que por vezes parece não fazer sentido neste mundo, ganha forma, cor, alegria, serenidade, faz sentido. A mais simples palavra, toca fundo... A teu lado pode sonhar-se! As estrelas são o jardim em que passeamos juntos. As palavras são a nossa moradia, onde quer nos momentos mais frios e tristes ou felizes e calorosos encontramos o conforto necessário, a doçura imprescindível, a realidade que passa despercebida, o sentimento partilhado!
És aquela amiga com que se sonha, e um dia, felizmente tivemos a sorte de encontrar.
Tu jamais deixarás de ser parte de mim!

08 de Julho de 06
André Escoval
A Árvore dos Amigos
Existem pessoas nas nossas vidas
que nos deixam felizes pelo simples facto
de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas correm ao nosso lado,
vendo muitas luas passarem,
mas outras apenas vemos entre um passo e outro.
A todas elas chamamos de amigo.
Há muitos tipos de amigos.
Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.
O primeiro que nasce do ventre
é o amigo pai e a amiga mãe.
Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, ou a amiga irmã ou ambos,
com quem dividimos o nosso espaço
para que eles floresçam como nós.
Passamos a conhecer toda a família,
a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino apresenta-nos outros amigos,
os quais não sabíamos que
iam cruzar o nosso caminho.
Muitos desses são designados
amigos do peito, do coração.
São sinceros, são verdadeiros.
Sabem quando não estamos bem,
Sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito
estala o nosso coração e então
é chamado de namorado.
Esse dá brilho aos nossos olhos,
música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés, alegria ao nosso coração.
Mas também há aqueles amigos por um tempo,
talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora.
Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face,
durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto,
não nos podemos esquecer dos amigos de longe,
que ficam nas pontas dos galhos,
mas que quando o vento sopra,
aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o verão vai-se,
o Outono aproxima-se,
e perdemos algumas das nossas folhas.
Algumas nascem noutro verão
e algumas permanecem por muitas estações.
Mas o que nos deixa mais feliz
é que as que caíram continuam por perto
,continuam aumentando a nossa raiz com alegria.
Lembranças de momentos maravilhosos
enquanto cruzavam o nosso caminho.
Desejo-te, folha da minha árvore,
Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade...
Hoje e Sempre...
Simplesmente porque:
Cada pessoa que passa na nossa vida é única.
Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.
Há os que levaram muito,
mas não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida
e a prova evidente de que
duas almas não se encontram por acaso.
A todos os amigos, pedras preciosas da minha vida, aqui fica mais uma vez uma homenagem a todos vós.

Beijos e abraços!

Terça-feira, Junho 27, 2006

Timor Leste: o golpe que o mundo não percebeu

Caros(as) leitores)as),

Em primeiro lugar agradecer pelas visitas e os comentários deixados neste nosso cantinho, depois das minhas longas ausências continuam a andar por cá. A todos o meu muito obrigado!

Agora deixo-vos com um excelente artigo, sobre a farsa de Timor livre, ou supostamente foi livre...

Beijinhos e abraços e muitos comentários.

*artigo retirado de www.resistir.info


Timor Leste: o golpe que mundo não percebeu

por John Pilger

Descreve-se aqui a fase mais recente da luta de Timor Leste pela independência. Na década de 1990 John Pilger foi clandestinamente cobrir aquele país. Agora, um dos mais novos e mais pobres estados do mundo enfrenta o poder esmagador do seu grande vizinho, a Austrália. O prémio, mais uma vez, é petróleo e gás.
O conluio da Austrália, escreveu o Professor Roger Clark, uma autoridade mundial em direito do mar, "é como adquirir material a um ladrão ... o facto é que eles não têm direito histórico, nem legal, nem moral sobre Timor Leste e os seus recursos". Debaixo deles jazia uma pequena nação então a sofrer uma das mais brutais ocupações do século XX. A fome imposta e o assassínio extinguiram um quarto da população: 180 mil pessoas. Proporcionalmente, isto foi uma carnificina maior do que aquela no Cambodja sob Pol Pot. A Comissão da Verdade das Nações Unidas, que examinou mais de 1000 documentos oficiais, relatou em Janeiro que governos ocidentais partilharam responsabilidades pelo genocídio; pela sua parte, a Austrália treinou a Gestapo da Indonésia, conhecida como Kopassus, e seus políticos e jornalistas principais divertiram-se junto com o ditador Suharto, descrito pela CIA como um assassino em massa.
Actualmente a Austrália gosta de apresentar-se como um vizinho prestativo e generoso de Timor Leste, depois de a opinião pública ter forçado o governo de John Howard a enviar uma força de manutenção da paz da ONU seis anos atrás. Timor Leste é agora um estado independente, graças à coragem do seu povo e à tenaz resistência dirigida pelo movimento de libertação Fretilin, que em 2001 ganhou o poder político nas primeiras eleições democráticas. Nas eleições regionais do ano passado, 80 por cento dos votos foram para a Fretilin, dirigida pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri, um "nacionalista económico" convicto, que se opõe à privatização e à interferência do Banco Mundial. Um muçulmano secular no país sobretudo Católico Romano, ele é, acima de tudo, um anti-imperialista que enfrenta as exigências ameaçadoras do governo Howard por uma partilha injusta das benesses do petróleo e do gás do Estreito de Timor.
Em 28 de Abril último uma secção do exército timorense amotinou-se, ostensivamente acerca de pagamentos. Uma testemunha ocular, a repórter de rádio australiana Maryann Keady, revelou que oficiais americanos e australianos estavam envolvidos. Em 7 de Maio Alkatiri descreveu os tumultos como uma tentativa de golpe e disse que "estrangeiros e gente de fora" estavam a tentar dividir o país. Um documento escapado da Australian Defence Force revelou que o "primeiro objectivo" da Austrália em Timor Leste é "ganhar acesso" para os militares australianos de modo a que possam exercer "influência sobre os decisores de Timor Leste". Um "neo-con" bushista não teria dito melhor.
A oportunidade para "influenciar" surgiu em 31 de Maio, quando o governo Howard aceitou um "convite" do presidente de Timor Leste, Xanana Gusmão, e do ministro das Relações Exteriores, José Ramos Horta – que se opõem ao nacionalismo de Alkatiri – para enviar tropas para Dili, a capital. Isto foi acompanhado por reportagens tipo "nossos rapazes vão salvar" na imprensa australiana, juntamente com uma campanha de difamação contra Alkatiri como um "ditador corrupto". Paul Kelly, antigo editor-chefe do Australian de Rupert Murdoch, escreveu: "Isto é uma intervenção altamente política ... a Austrália está a operar como uma potência regional ou um hegemonista político que modela a segurança e o porvir político". Tradução: a Austrália, tal como o seu mentor em Washington, tem um direito divino a mudar o governo de um outro país. Don Watson, redactor dos discursos dos antigo primeiro-ministro Paul Keating, o mais notório apologista de Suharto, incrivelmente escreveu: "A vida sob uma ocupação assassina pode ser melhor do que a vida num estado fracassado..."
Ao chegar com uma força de 2000 homens, um brigadeiro australiano voou de helicóptero directamente para o quartel general do líder rebelde, major Alfredo Reinado — não para prendê-lo pela tentativa de derrubar um primeiro-ministro democraticamente eleito, mas para cumprimentá-lo calorosamente. Tal como outros rebeldes, Reinado foi treinado em Canberra.
Dizem que John Howard ficou agradado com o título de "vice-xerife" do Pacífico Sul, atribuído por George W. Bush. Recentemente ele enviou tropas para reprimir uma rebelião nas Ilhas Salomão, e oportunidades imperiais acenam em Papua Nova Guiné, Vanuatu e outras pequenas nações insulares. O xerife aprovará.
22/Junho/2006
O original encontra-se em New Statesman e em http://www.johnpilger.com/page.asp?partid=402
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Terça-feira, Junho 20, 2006

Exames Nacionais, a Hipoteca de um futuro!

É hora de por fim à elitização do ensino em Portugal.

É chegado o Sol, o calor aperta, em particular nas nossas planícies, desponta a vontade de sítios mais acolhedores para esta altura do ano, como são por exemplo as piscinas, os rios ou albufeiras que marcam ainda presença na nossa região e que por esta altura começam a fazer a delícia (pois é o que tem aqui mais perto) das nossas gentes em especial da nossa pérola: a juventude.
Neste mesmo Alentejo, onde cantaram em tempos os Ceifeiros,

O verão
Brasa doirada e celeste
Queima este sol agreste
Loirando mais as espigas
Ceifeiros de corpos curvados
Ceifando e atando em molhos
A bênção loira da vida.

Meu Alentejo,
Enquanto isto se processa
O sol ferindo e sem pressa
Queima mais a tez bronzeada
O suor rasga a camisa
Homem queimado mais fica
A vida é feita de brasa

O suor castiga os corpos
Os ceifeiros vão ceifando, sem parar o seu labor
O seu cantar é dolente
É certo que é boa gente
É verdade e tem mais cor


Em tempos eram as espigas o valor Alentejano. Hoje em dia, consequência dos tempos, as nossas espigas são outras, e de novo o futuro do Alentejo passa por elas, agora mais que nunca, o seu povo, em especial a juventude, futuro desta terra. Esta melodia, tão nossa, agora bem poderia ser cantada pelos estudantes, que nesta altura se vêm presos a uma cadeira e a salas fechadas. Que se vêem presos a mais duas horas de calor para decidirem o seu futuro, depois de passarem anos a fazer de uma forma muito mais justa a mesma coisa.

Pois é, todos sabemos que é chegada a hora de realizar mais uma vez os Injustos(!) Exames Nacionais. Mas há coisas em que importa meditar, pois neste processo (Injusto!) são muitas vezes esquecidas, ou tapadas por quem lhe convêm.
Os Exames Nacionais são realizados no final de cada ciclo escolar, que tem entre 2 a 4 anos de duração conforme o ciclo respectivo.
A mim estudante, suscitam-me algumas perguntas.
Então que andei eu a fazer na escola durante todo este tempo? A ser injectado de matéria, para depois em duas horas a saber despejar para o papel, e o Estado consoante este meu desempenho e dos meus colegas elaborar um Injusto(!) ranking de escolas? Onde está o valor do meu trabalho e dos meus colegas (de Norte a Sul do Litoral ao Interior e Ilhas) realizado durante o longo tempo em que andamos na escola, ao que me parece, exclusivamente a ser formatados para este momento?! Eu ainda me lembro que tivemos participação nas aulas, realizamos trabalhos, tivemos TPC’s, tivemos trabalhos pontuais para fazer, fizemos testes, tivemos atitudes e valores, mas onde está esta avaliação?
Não será mais justa uma avaliação contínua, tal como está consagrada na Lei?

Mas, falamos de um Exame Nacional, logo um papel uniforme (mais uma vez de Norte a Sul do Litoral ao Interior e Ilhas). Por isso assaltam-me mais questões. Será que um qualquer colega meu teve professor ao mesmo tempo que eu e os meus colegas? Será que todos tiveram acesso ao programa da mesma forma? Será que as condições da minha escola são iguais à de outra qualquer escola são iguais à de outra qualquer escola do país? Será que o meio económico e social que me envolve é igual ao de outro qualquer meu colega? Será que vou ser tão infeliz que no Exame vou bloquear, mas até tinha tido boas notas durante todo o ciclo, mas que por isso vou reprovar?

No nosso Alentejo, tal como em todo o país, por esta altura, com a particularidade do calor, as salas de aula, super degradadas, e geladas no inverno, já para não falar nas condições que lhe faltam para se realizar um bom trabalho, transformam-se agora em fornos, onde intensivamente e a queimar pestanas se embute matéria para se dizer cumprido um programa, jogando para traz das costas todo o trabalho feito ao longo de anos a esta parte. É assim que fixamos a nossa maior riqueza? É esta a forma mais justa de lidar com as nossas gentes? É esta a forma de melhor educar a nossa juventude? É esta a melhor forma de formar o futuro de Portugal? É a forma mais justa de avaliar o nosso trabalho?

Assim tem sido ao longo de anos conduzida a Educação em Portugal pelas políticas elitistas de direita dos governos PS e PSD com a mãozinha do CDS-PP. A eles devemos esta situação. A eles temos que lhe cobrar o nosso futuro, e isso só o conseguimos através da luta mudando o rumo desta política.

Por isso, é hora de todos os agentes educativos olharem seriamente para este problema. É hora de se rectificar o caminho que a politica educativa tem tomado em Portugal ao longo dos tempos. É hora de se respeitar cada estudante. É hora de ter em conta a realidade de cada escola. É hora de por fim às barreira que os estudantes portugueses enfrentam no prosseguimento dos estudos. É hora de por fim à elitização do ensino em Portugal. É hora de a educação ser um bem a que todos tenhamos acesso. É hora de verdadeiramente, de uma forma justa, se avaliar cada um dos estudantes. É hora de cumprir Abril e a Constituição da Republica Portuguesa que nela consagra uma Educação Publica, Gratuita e de Qualidade para todos!

Porque pessoas não são números, nem todas têm os mesmos números e as mesmas condições para poderem alcançar o mesmo fim. Porque as pessoas de que falamos são o nosso futuro, porque em particular são a maior riquezanacional em especial Alentejana. Porque tem também o direito e o dever de reivindicar. Porque este problema a longo prazo pode dar origem a incidentes como os vistos em França, fruto da discriminação, de políticas autistas, elitistas e ao serviço do grande poder económico, quando deveria estar ao serviço e com o povo na sua maior função que é a função social. É hora de acordarmos para este problema e o olharmos como um problema nacional que nos afecta a todos, a cada um de nós em particular, a Portugal e o seu futuro, vamos lutar!